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No pior momento da pandemia, governo do RS insiste em reabrir escolas

Decisão judicial suspendeu o retorno, mas Eduardo Leite recorreu

No Rio Grande do Sul, na última semana, o retorno das aulas presenciais na rede pública e privada de ensino foi suspenso por decisão judicial enquanto estiver mantida a bandeira preta de alerta. No entanto, nesta segunda-feira (01), o governo do Estado recorreu da decisão e tenta impor o retorno das atividades da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental (1º e 2º anos).

A decisão de recorrer e iniciar aulas presenciais contrasta com o cenário da crise sanitária. No site da Secretaria Estadual de Saúde (SES/RS) consta que, em todo o Estado, há 2.804 leitos de UTI (públicos e privados), mas apenas 86 leitos vagos. Em Porto Alegre, a situação é ainda mais dramática já que a lotação de leitos está esgotada e há 156 pessoas internadas em emergências que aguardam leitos. No país, vivemos o momento mais letal da pandemia em que, há 40 dias, morrem mais de 1.200 pessoas em decorrência de covid-19 ou falta de recursos hospitalares como leito ou oxigênio.

No final do ano passado, em mais um momento de relativização da pandemia, a Prefeitura Porto Alegre autorizou o retorno às aulas presenciais. Em pouco mais de dois meses, mais de 530 casos de contaminação foram confirmados em escolas. Apesar da maioria das crianças não desenvolver sintomas quando infectada, o surto de covid entre professores é uma realidade frequente nas cidades que determinaram aulas presenciais. Além disso, outros dados divulgados pela SES/RS alertam para o recente aumento no número de crianças que necessitam de internação em UTI. No Estado, há 46 crianças internadas para tratar de coronavírus e outras 13 aguardam o resultado de exame. Contudo, até ontem havia sete crianças internadas em UTI. Até o dia 19 de fevereiro, era apenas uma.

Nesse cenário, propor o retorno de aulas presenciais é uma tentativa de normalizar o contágio e as mortes. O “novo normal” será o de morrer por uma doença para a qual a vacina já foi desenvolvida mas falta vontade política para implementar amplo programa de vacinação. Banalizar a vida não pode ser parte de projeto pedagógico ou societário. Nada mais deseducativo do que alienar crianças da gravidade da situação e expor profissionais da educação. Retorno as aulas presenciais só depois que todas e todos estiverem vacinados.

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